10 de jan de 2009

Proibições Aerodinâmicas na F1

Aproveitando o tema sobre proibições aerodinâmicas - ou não - na F1 atual, hoje começo a contar pra vocês a série de proibições que a Fórmula 1 vem enfrentando durante todos esses anos desde sua criação.

Será uma "série" de 4 posts porque a história é longa...

Desde 1950, ano de sua criação até 1968, a F1 foi evoluindo de forma moderada.

Em 1968, o Lotus 49 começou a revolucionar a categoria de uma forma muito rápida. Tivemos algumas variáveis do modelo - A, B e C - e vários desenhos dos mesmos até se encontrar o ideal.

Primeiro Lotus 49

Lotus 49B

Lotus 49C

Com ele surgiu a importância da aerodinâmica usando um enorme aerofólio, que era demasiado frágil, precisamente por ser móvel. O aerofólio mudava seu ângulo de incidência e dava maior ou menor apoio em curvas ou retas. Por assim ser, se quebrava fácil e provocava muitos acidentes. Não demorou a ser proibido e em 1969 e a FIA limitou suas medidas.

Esse frágeis aerofólios se desprendiam e com isso chegou o decreto que exigia que todo e qualquer elemento aerodinâmico fosse preso ao chassis. Assim, começamos a ter os aerofólios com as configurações que conhecemos hoje em dia e a aerodinâmica passou a ser essencial.

O pioneiro foi o Lotus 72.


Em 1976 surgiram alguns projetos de carros com 6 rodas. O mais popular foi o Tyrrel P34. As "rodinhas" ficavam atrás do aerofólio, o que favorecia a aerodinâmica.



Algumas equipes chegaram a se interessar pela idéia, mas em 1983 foi proibida a tração nas 4 rodas e o regulamento limitou os carros a terem 4 rodas.

Em 1977, surge o "efeito solo". Colin Chapman, aplicando seus conhecimentos de "Efeito Venturi" cria o efeito solo, fazendo com que o ar passasse por debaixo do carro e provocasse uma "depressão" que o "pregava" ao chão, com ajuda de uns "saiotes" laterais.





Com a superioridade do Lotus 79 "wing car", e o resto das equipes necessitando o efeito solo para serem competitivos, em uma tentativa de bater a superioridade da Lotus, surge a Brabham-Alfa Romeo BT46B.

Na parte traseira foi colocado um ventilador que, por um lado servia para refrigerar o motor(isso dizia o fabricante) e por outro, sugava o ar que passava por baixo do carro, aumentando sua velocidade e fazendo re-aparecer o "efeito solo".

Brabham-Alfa Romeo BT46B

A concorrência denunciou a ilegalidade do ventilador que deveria ser considerado " elemento aerodinâmico móvel". Além disso, reclamavam que o ventilador aspirava a sujeira da pista e depois jogava pra trás outra vez.

O carro venceu em sua primeira e última corrida. Foi proibido logo depois.

Lição aprendida, em 1979 todas as equipes já tinham sua própria versão de "Wing Car".


As equipes aproveitaram o efeito solo ao máximo...

Em 1982, proibiram-se as "skirts"(saias) móveis, o que fez perder boa parte do "efeito solo", e os chassis dos carros foram obrigados a ter uma altura constante de 6cm com o asfalto.

Colin Chapman, o homem dos inventos da Lotus, se resistia a enterrar a tecnologia do "efeito solo".

Mas sem as "skirts", ao frear ou acelerar o carro, ele não ia plano e o"efeito solo" não se mantinha.

Em 1981, pouco antes de morrer, teve a idéia de fazer um carro com 2 chassis: um deles continha o cockpit, depósito de combustível, suspensões...enquanto o outro montava toda a carroceria, o radiador e os túneis do efeito solo. Assim, o primeiro chassis poderia ir suspenso, e o segundo, sempre na mesma posição com relação ao asfalto, provocava o efeito solo, porém sem as "skirts". Os dois chassis estavam unidos pela suspensão.


Apesar de passar com êxito a inspeção dos comissários, a FIA o proibiu sem que pudesse correr sequer uma corrida. Era o fim do Lotus 88.

Em 1982, devido à pressão das equipes, foi decretado que a distância do chassis para o chão voltaria a ser livre e que as "skirts" voltariam a ser utilizadas com a condição de que fossem fixas à carroceria e não flexíveis. Não demorou muito a serem proibidas.

Em 1983, um ano depois, devido a vários acidentes ocorridos na F1, graças ao efeito solo, foi anunciada sua proibição total, a partir de 1984. Além disso, foram proibidas, os "saiotes"(skirts) e qualquer apêndice aerodinâmico situado entre o corpo do carro e o chão (fundo plano).


Continua...

Fontes:www.elsiglodetorreon.com
http://formula1.escharlamotor.org

www.coches-tuning.com
www.miniruedas.com

7 comentários:

Muitas das proibições de antigamente visavam a segurança da categoria, já que era algo muito precário. Hoje em dias são simplesmente para aumentar a competitividade perdida a tempos atrás.

Leandro Montianele

Priscila, parabéns pelo material fantástico!
Abs
Marcus, Criativo de Galochas

Dia desses eu li no blog do Ico que em 1998 qdo a Mclarem voltou a grande forma, dominando o campeonato e dando o titulo ao Hakkinem, ela usou um sistema KERS.
Mas a FIA alegando que aquilo iria aumentar os custos, proibiu o sistema da Mclarem.
Ironico que 10 anos depois ela impõe o sistema que proibiu anteriormente.

chantion

Oi Pri. Também quero te parabenizar. Muito bacana seu trabalho de pesquisa e de escrita também. Fácil de entender.
Gostei. Vamos ver o resto.
Um beijo.
SAVIOMACHADO

Muito boa a seção, hein...

E o Chapman era o cara...

Grande post msm Priscila,

E a escrita está maravilhosa tb parabéns.

Muito bom o post, Priscilla...

Fico imaginando o tempo gasto na pesquisa do material!!!

Realmente, Colin Chapman era "o cara"...

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